Thursday, August 08, 2013

Rosário Breve n.º 321 - in O RIBATEJO de 8 de Agosto de 2013 - www.oribatejo.pt



Lembrando Manuel Dias

A vida não me deu muito tempo para deixar crescer a flor-do-sal que era a minha amizade com um homem bom chamado Manuel Dias. Deu-se ele ao trabalho de morrer sem aviso, aqui há umas temporadas. Era um exímio cultor da Língua Portuguesa, que toda a vida foi o instrumento de trabalho dele. Jornalista, escritor, exímio narrador oral de episódios da vida, graves uns, hilariantes outros. Um destes últimos é o que me traz hoje a esta coluna.
Contou-me o Man’el que, de certa vez que um clube português da bola se deslocou à Grécia para um desafio uefeiro, um muito conhecido figurão dessa arte do coice e da cabeça que integrava a comitiva foi a uma “casa-de-tia”, como se diz no Norte. Era em Atenas. O referido figurão tinha consigo uma apreciável maquia, como parece ser costume entre os futeboleiros a partir de determinado nível. Acudindo-lhe ao faro venéreo certa senhora profissional circunstante, chamou o empregado e perguntou-lhe quanto é que em dólares lhe ficaria o gasto pela companhia e o doce usufruto da referida. O empregado foi e veio.
“ – Ela diz que são cem dólares”, informou.
O cliente nosso protagonista disse assim então ao rapaz:
“ – Diz-lhe que está bem, mas avisa-a de que eu gosto de bater um bocadito!”
O empregado foi e veio.
“ – Ela quer saber se o bocadito é muito ou pouco.”
E o figurão:
“ – Diz-lhe que é só até ela largar os cem dólares.”
Como o nosso jornal vai parar duas semanas para o mais que merecido descanso do pessoal, resolvi cronicar este episódio hílare em alternativa às coisas algo macambúzias que aqui costumo plasmar. Mas desde já aviso que há rabo mal escondido de gato irónico nesta minha prática. Por outras palavras: vou ser mauzinho. Noutros termos: vou figurar bitaite azedo. De outros modos: vou-me às canelas da Merkelzita local, aquela que mente que não mente.
A culpa é do meu saudoso Manuel Dias. Fosse ele vivo, que a história ateniense acima exposta seria rebuçado narrativo de bem melhor embrulho linguístico. Paciência, hei que ser eu a fazer-lhe as vezes. Ora, que poderá ter Maria Luís Albuquerque que ver com a anedota helénica? Pelo lado figurado (e, note-se, devidamente separadas as águas contextuais do prostíbulo de luxo que deu cenário ao episódio pícaro e caricato dos cem dólares), tem ela, não muito, mas tudo que ver.
Porque, tal como a mim, já várias vezes terá apetecido ao meu Leitor bater na agora ministra. Mas, claro, não muito.

Só até ela largar os “swaps”.

2 comments:

Malena said...

Formamos um gang? ;)

Beijocas e boas férias, Daniel!

daniel.abrunheiro@gmail.com said...

Um gang? Formamos pois. Bom sol, Mad.