Tuesday, November 09, 2010

IDEÁRIO DE COIMBRA - podografias de retorno – 112 - fragmento 2

DUAS CANÇÕES


 1. POR ÍNDIAS E LISBOAS


(para o M. F.)

Sinto as luzes /águas boas
que reflectem o nascer.
Corri índias e lisboas
não fiquei nada a dever.
Vi o triste sem-abrigo.
Vi quem fica sem partir.
Se o senhor é meu amigo
comigo queira repartir.
A esp’rança é uma gaja
sorri pouco / é maluca.
Muito bem tem quem o bem-haja
dá em data não caduca.
P’la vida da minha Mãe
& pela Pátria total
vos dirijo / eu também
saudades do Portugal/
país que inventou o Mar
e as Ilhas e o falar
do destino ribeirinho.
Eu aqui ando sozinho.
Sais-de-fruta, peixe & vinho.
Sinto a luz / água do olhar.

*
2. CANÇÃO DA BRANDA FILHA

(para a S.C.)
Sou da ilha a filha branda,
branca da estrela não propícia.
Sou um caso de polícia
– e da ilha a filha branda.

Dou-me de cor ao veludo
que as noites põem no sonhar.
Quis quase nada, tive tudo:
mas nisso nem é bom falar.

REFRÃO

Do meu olhar, vê os cristais
que pensam luzes siderais.
Do meu olhar, vê diamantes
nados p’ra ser o que eram dantes.

Sou do mar terna vizinha.
Às terças vou, febre terçã.
À tua vida, torná-la minha,
e sal da noite e da manhã.

E se me quiseres, aqui estou.
Vou de onde vim por onde vou.
Sou toda quanto te vai faltar,
Falo-te agora do meu olhar:

REFRÃO

Do meu olhar, vê os cristais
que pensam luzes siderais.
Do meu olhar, vê diamantes
nados p’ra ser o que eram dantes.

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