Thursday, December 15, 2016

22 DEZEMBROS NA MELHOR COMPANHIA - in Rosário Breve nº 485 - in O RIBATEJO de 15 de Dezembro de 2016 - www.oribatejo.pt





22 Dezembros na melhor companhia



Mantenho desde 1995 um registo minucioso de leitura(s). A esse acervo vou de quando em volta acender lume na obscuridade do tempo que passa. Acontece-me muito, aliás, proceder a re-leituras por causa disso: como lerei nesta idade o que em outra mais moça li? Desta vez, porém, revisito o caderno para dar cabedal retrospectivo à presente crónica. Catarei apenas alguns títulos – e apenas dos 22 Dezembros entretanto acontecidos.
A 15 de Dezembro de 1995, concluí a frequência de Seis Propostas para o Próximo Milénio, do brilhantíssimo Italo Calvino – cá está uma releitura a fazer em breve.
A 12/XII/96, cheguei ao cume da Montanha Mágica, de Thomas Mann. É obra monumental, que relerei também – e sem qualquer receio de me parecer, duas épocas volvidas, menos montanhosa.
Dezembro de 1997 foi mês-Cortázar: leituras de El Examen (a 17) e de Octaedro (30), além da já então re-leitura de Blow Up e Outras Histórias (também a 17). Tal como Calvino & Mann, o grande Argentino é santo cativo do meu bibliómano altar pagão.
Dezembro/98 começou da melhor maneira: a 8, Peregrino e Estrangeiro, da maravilhosa Marguerite Yourcenar.
Na madrugada de 28/XII/1999, concluí a primeira volta integral ao magnífico Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança, do nosso boníssimo Manuel António Pina.
O derradeiro mês do ano 2000 foi ocasião propícia para o usufruto de uma obra-prima: a 23, Conversa na Catedral, do peruano Mario Vargas Llosa. Livro profundíssimo, de fortíssima construção.
Na última madrugada de 2001, tive a companhia de uma Senhora. Esclareço: companhia por correspondênciaEngano Astucioso, da ladina Ruth Rendell.
Em Dezembro de 2002, li muito Maigret /Simenon.
Um ano depois, aprendi muitíssimo com um brasileiro que é para aí umas cem (ou mil) vezes melhor cronista do que eu: Luiz Fernando Veríssimo – a 4, Comédias da Vida Privada (101 Crónicas Escolhidas); a 29, Novas Comédias da Vida Privada; nos entrementes veríssimos, papei, a 21, do também brasileiro Fernando Sabino, o excelentíssimo romance O Encontro Marcado.
Acelerando ora o passo antes que o espaço se me acabe:
de Dezembro de 2004, destaco O Ente Querido, de Evelyn Waugh (a 6) e La Symphonie Pastorale (a 21), de André Gide;
XII/2005: teatro do insigne Harold Pinter – O Quarto (a 21); Feliz Aniversário (a 27); O Serviço, a 29;
XII/2006: dentre o mais, a biografia Joan Manuel Serrat, belo cantor catalão (d)escrito pelo gigante, e catalão também, Manuel Vásquez Montalbán (a 26);
XII/2007: andei mormente pelas anglografias – o fantástico (na dupla acepção do termo) E.A. Poe, mais H. Walpole, S. Warren, Prosper Mérimée, E.P. Oppenheim, A. Berkeley, juntando-se a estes insignes senhores o casal Cole (George Douglas Howard & Margaret);
na tarde de 8/XII/2008, li Sobre Não Estares, do nosso Joaquim Jorge Carvalho;
na noite de 28/XII/2009, foi a vez de O Livro da Confiança, de um senhor padre chamado Thomas de Saint Laurent;
o último livro consumido em Dezembro/2010 foi, na noite de 16, de uma estrela literária alemã, Peter Handke de sua graça: Uma Breve Carta para um Longo Adeus;
em 2011, excelentíssimo início do mês terminal: Crónicas de Fernão Lopes (escolhidas e anotadas pela sábia senhora D.ª Maria Ema Tarracha Ferreira).
[Calma, que estamos quase a chegar ao presente.]
2012, dias 4, 10, 13 & 27/XII – viajei pelo Portugal Século XX - Crónica em Imagens, com direcção de Joaquim Vieira para o Círculo de Leitores: é obra monumental que (nos) abarca como Povo de 1900 a 2000, à razão de um volume por década – finíssima síntese documental;
Dezembro de 2013 foi de altíssimo quilate – frequentei com grande proveito, se aproveitamento não, Guy de Maupassant, Brecht, D.H. Lawrence amaila densíssima senhora que houve por nome Virginia Woolf: respectivamente, Bel-Ami (a 6), Histórias de Almanaque (a 12), O Raposo (a 14) & Um Quarto que Seja Seu (a 30);
dos demais de Dezembro/2014, sublinho, do magnífico historiador francês Georges Duby (grande escritor!), As Damas do Século XII (a 12), e a Correspondência 1905-1922 do nosso Fernando Pessoa, a 17.
Já em Dezembro do ano passado, calhou a vez a um bom achado d’alfarrábio que entretanto fizera numa banca de rua (por um eurito): La Crise de la Démocratie Contemporaine, obra ominosamente saída em 1931, ou seja, no imediato pré-hitletarianismo, da autoria de um tal Joseph-Barthélemy.
No corrente mês do ano que, areia entre os dedos, se nos acaba, li finalmente de ponta a ponta Os Simples, do nosso poeta Guerra Junqueiro, lírica precedida de um precioso ensaio de Moniz Barreto intitulado A Literatura Portuguesa no Século XIX.
Hoje, quinta-feira, 15 de Dezembro de 2016, estou a ler o noss’ O Ribatejo. E tu também. 

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