Thursday, October 23, 2014

Rosário Breve n.º 379 - in a O RIBATEJO de 23 de Outubro de 2014 - www.oribatejo.pt

Alô, alô, aqui Vale da Pinta

“Se todo o Estado fosse como o Poder local, não teríamos défice.”
Quem isto publicamente cuspiu aos ventos não foi o maluco cá da aldeia. Foi um adjunto governamental. Para tal risível figura, a evolução financeira dos municípios é exemplo dos mais laváveis, perdão, louváveis. E o maluco sou eu, aqui no Vale da Pinta, Cartaxo.
Já não sei, francamente não sei, o que fazer de tanto palerma.
Ele é o coiso que, perorando sobre ética e deontologia da e na docência, plagia à força toda. Ele é uma tal Associação Nacional de “Professores” (tem de ser entre aspas, se não vomito) a dizer mal dos jornais por trazerem o granchar copy-paste de cueca à mostra.
Ele é os ministérios da “Educação” e da “Justiça” (aspas, claro) serem, obviamente, citius muito mal frequentados – mormente nos respectivos topos.
Um é caric(r)ato. Ninguém lhe exija que faça o que nós, como ex-Povo, há quarenta anos andamos a fazer: demitir-se. Pois se até o Primeiro veio agora a terreiro dizer que ele foi a sua “melhor escolha para o lugar”
Quanto ao caos (sim: caos, balbúrdia, feira-da-ladra, escarcéu, trapalhada, monturo, zaragata, torvelinho, carrossel, berbicacho, forrobodó, trinta-por-uma-linha) da “Justiça”, tudo está muito bem também, graçasadeus. Os juízes recebem setecentos e tais só para subsídio de alojamento mais miles pela “especialização”. Os funcionários judiciais fazem o favor de levar o coice nos fundilhos, agradecer a suas senhorias e aloquetar o bico, que a António Maria Cardoso ainda é no mesmo sítio.
Se todo estes rol & ror de deformidades desgovernantes não são emanações espectrais do atraso cognitivo, não sei que raio chamar-lhe alternativamente. Uma pessoa liga em casa o televisor e/ou o rádio – e é imediatamente sitiada por idiotas mal intencionados de alfinete-portugalinho na lapela. Na Grécia e na Alemanha, há facínoras presos por causa daquilo dos submarinos. Aqui, há medalhinhas do Dez de Junho e do Padre Cruz para os facínoras. O Sporting foi à Alemanha ser roubado à descarada: poupasse a viagem, que para ser roubado por alemães não é preciso ir além da taprobana de Caminha.
Eu sei, eu sei: mais com fel escrevo do que com tinta. Que quereis? Ando com um edema na glândula da amargura. Olho derredor e não me sossega o que vejo. Acho os cães de rua mais magros. Acho a mocidade mais burra, mais praxística, mais vã, mais feia. Até os bêbados meus colegas bebem menos, porra. Pelos jardins deste Verão anacrónico, os velhinhos tossem a desesperança com uma espécie de fé virada do avesso. Uma espécie de febre fúnebre amplifica em redondo o Zero nacional. Um caraças de autismo multitudinário resigna-nos e persigna-nos com férrea inexorabilidade. A indiferença imbeciliza-nos. Mas o Poder local, diz o tal gnomo de rala barba, é um espelho lavado a que o Estado deveria barbear-se, comovido e grato por tal e tão subido exemplo.
Enfim, pior há-de ser falecer.
Ou não.

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