23/03/2019

Joni Mitchell - Both sides now









Both Sides Now
Joni Mitchell

Rows and floes of angel hair
And ice cream castles in the air
And feather canyons everywhere
I've looked at clouds that way

But now they only block the sun
They rain and snow on everyone
So many things I would have done
But clouds got in my way

I've looked at clouds from both sides now
From up and down, and still somehow
It's cloud illusions I recall
I really don't know clouds at all

Moons and Junes and Ferris wheels
The dizzy dancing way you feel
As every fairy tale comes real
I've looked at love that way

But now it's just another show
You leave 'em laughing when you go
And if you care, don't let them know
Don't give yourself away

I've looked at love from both sides now
From give and take, and still somehow
It's love's illusions I recall
I really don't know love at all

Tears and fears and feeling proud
To say "I love you" right out loud
Dreams and schemes and circus crowds
I've looked at life that way

But now old friends are acting strange
They shake their heads, they say I've changed
Well something's lost, but something's gained
In living every day

I've looked at life from both sides now 
From win and lose and still somehow 
It's life's illusions I recall
I really don't know life at all

I've looked at life from both sides now 
From up and down and still somehow
It's life's illusions I recall
I really don't know life at all

Bela versão, bela voz convidada - Sting and Rufus Wainwright Wrapped around your finger 720p

20/03/2019

Há 32 anos, um Gigante tomou Lisboa: Astor PIAZZOLLA Quinteto en Lisboa 1987 (completo).Archivo Hugo Omar Vig...

Braga, 20 de Março de 1900 - lugar/data do manuscrito original de VIOLONCELO, de Camilo Pessanha (n. Coimbra, 7 de Setembro de 1867 — f. Macau, 1 de Março de 1926)





VIOLONCELO
         
Chorai arcadas 
Do violoncelo! 
Convulsionadas, 
Pontes aladas 
De pesadelo...


De que esvoaçam, 
Brancos, os arcos... 
Por baixo passam, 
Se despedaçam, 
No rio, os barcos.



Fundas, soluçam 
Caudais de choro... 
Que ruínas, (ouçam)! 
Se se debruçam, 
Que sorvedouro!...



Trémulos astros... 
Soidões lacustres...
—: Lemos e mastros...
E os alabastros 
Dos balaústres!



Urnas quebradas! 
Blocos de gelo...
— Chorai arcadas, 
Despedaçadas, 
Do violoncelo.



Camilo Pessanha

19/03/2019

Coimbra, segunda-feira, 18 de Março de 2019




Na Rua da Moeda, dois taxistas que vieram merendar. Não moços já (e nunca mais). Oram alto, perorando mal. Dão-se mais mal ainda com a democracia. Manifestam nostalgia – de salazar-salazar-salazar. Até que.
Até que um mano desenvolto, que a uma mesa próxima merendava também, se ergue de corpo & voz, assim lhes manifestando:

Não sei s’é deste vinho ser bom, s’é de ser boa a puta que vos pariu.

E os salataxizaristas, covardes como é de lei, pagam & desandam.
Moral-da-História: 25-de-ABRIL-SEMPRE!

Uma daquelas noites como a noite deve ser - Brad Mehldau "Three Pieces after Bach" à la Philharmonie de Paris – ARTE...

15/03/2019

Mário Eloy nasceu há 119 anos

Nascimento: 15 de Março de 1900,Algés

Falecimento: 5 de Setembro de 1951, Lisboa


25/01/2019

Contraponto (de 1928) - por ALDOUS HUXLEY (1894-1963)





Continua a ser leitura de referência 

- um clássico moderno, digo mesmo.


20/10/2018

Quatro poemas de BASHÔ traduzidos por JORGE DE SENA



BASHÔ (Japão, 1644-1694)





“Amigos, adeus:
tal como os gansos selvagens
perdidos nas nuvens.”



“Um branco narciso
e um branco biombo se reflectem
na sala quieta.”



“Bendito este vale
onde o vento suave cheira
vagamente a neve.”



“Recordação de Edo:
este vento frio e fresco
que guardo no leque.”

28/09/2018

Outro soneto de sexta-feira, 28 de Setembro de 2018






Inscreve mansidão por ruas breves
O cavalheiro firme & calado.
Sustenta demoradamente aves
E, do que sobra, obra ele dá ao dia.

Domingos há queimado sem remédio,

Conhece o carnaval mais solitário.
Em sono, reconquista as origens
E da morte se serve imitação.

Mansarda com vasos de sardinheiras,

Latadas de cachos gordos suspensos,
Cães serenos guardando a própria sombra:

O cavalheiro é grato à conquista

De horas sem mensagem nem destino
– E assim tem sido sempre de menino.

Soneto de sexta-feira, 28 de Setembro de 2018






Tantos anos volvidos – plena bruma
Adoça amarga a interioridade
Do ser que vai estando na passagem
À bolina de dias repensados.

Já inclinada mais está a ladeira
Que outrora subiu arborizada.
Panos de relva mui estendem sombra
De que aves invisíveis tomam posse.

Silêncios mores estend’ em lençol o céu
Que a névoa sequestrou por estas horas.
Laurindo chega à obra, pousa o saco,

Confere em torno d’ontem os despojos.
Em vinte anos, tudo resolvido:
Nem sonetos, nem doce amargura.


19/09/2018

Um soneto de segunda-feira, 26 de Julho de 2010






Nem tudo o que vem do coração está certo,
nem tudo errado é quão coração parece.
Ele há coisas que a razão reconhece,
mais longe são umas & outras mais perto.

A gente assim faz: vive. Passam as viaturas,
derredor há sol que esbraseia peles.
Queima-as à boa gente & a outra mais reles,
mas todas de Deus são as criaturas.

O mais que não digo, vem só da verdade,
que ela é ser a mesma vontade
de menos ser que viver, está certo, está certo.

Nem tudo é erro, nem a razão conhece
o que o coração quer e apetece:
está perto, é longe; está longe, é perto.

28/08/2018

Duas sentenças judiciosas



Recentemente, chegaram-me ao saber duas sentenças judiciosas.
Da primeira, desconheço o autor.
Da segunda, sei que foi proferida pelo grande contista britânico H:H: Munro (pseud. Saki, (18 December 1870 – 14 November 1916)).



1 - Se partires um braço, não te faltará quem queira assinar melhoras no gesso.
Se sofreres de depressão, todos fugirão de ti.

2- Acho os Americanos grotescos quando tentam falar francês. Felizmente, nunca tentam falar inglês.

22/08/2018

“Nem a luz da música tive” - Coimbra, 14 de Agosto de 2018


Eduardo V. N., 64 anos, no Largo do Pôço, Coimbra




“Nem a luz da música tive”
– diz o cego Eduardo,
a quem o pai não quis oferecer,
menino,
um acordeão-de-pedir.

07/08/2018

Soneto pela finimanhã de Terça-feira, 31 de Julho de 2018






O harmonioso moço semblante da menina vi,
era em um autocarro que ao Calhabé nos levava.
Humana síntese de gladíolo & codorniz senti
naquel’ aparato feminil que, ’li, se m’apresentava.

Era de curtas roupas, quási porém longas pernas:
mas não dessas que se encontra pelas tabernas,
isso não, antes sim por bibliotecas de honesto estudo
onde a vergonha é nada & a honra é tudo.

Senti-me de pronto o mais juvenal senil,
que, enfim, juvenil não, tal me há muito passou.
Fiz de discreto mirone, colector de vãos sonetos.

Pode ser que um dia, à face de meus netos,
à lareira lhes conte daquela que viajou
em noviço julho, ante meu extinto abril.

Canzoada Assaltante