Thursday, September 18, 2014

Rosário Breve n.º 374 - in O RIBATEJO de 18 de Setembro de 2014 - www.oribatejo.pt

SMS: Siglas Maravilhosamente Simples

Permite-me, ó bom Leitor, a seguinte confissão: tenho uma pancada muito jeitosa naquilo das siglas. Sou doidinho por elas. Mas nota tu bem: não pelo seu real significado, mas pelas possibilidades maravilhosas de significação alternativa. Tenho milhões de exemplos.
FNAC é um exemplo bom. Não quero saber se, no plano real, é a megacadeia de livros, discos, filmes e afins coisas multimédias. Nem se era aquilo d’antigamente do ar-condicionado. Para mim, FNAC é: Fazer Nojo Aos Cães. Pronto.
NASA. Esta é outro mimo para mim: Nós Americanos Sabemos a Ânus.
Na volta para casa de algum arraial com amigalhaços de copázio & coparete, o meu ideal vir CTT: Com uma Tremenda Torcida.
A política, essa grande porquita, não cessa jamais de me ajardinar-de-delícias o coração doidivanas. Olha aqui, Leitor, como lês tu esta sequência: PS-PCP-PEV-PSD-CDS-BE? Hum? O quê? Partido tal, Partido tal, Partido tal? Mas qual quê?! Tu não vês nesta justaposiçãozinha a mão do Diabo cifrador de códigos? Eu vejo.
Concedo-te: lês nisto o nome de partidos por seres mentalmente são. O teu cérebro é um alperce fresco. Eu, são, não sou. Porque na enumeração PS-PCP-PEV-PSD-CDS-BE eu leio: Pobre Seguro – Por Culpa Própria – Por Engrolar Verborreias – Pode Suceder-lhe Doravante – Costa Depois de Sócrates – Bonito Encalacranço!
Vês, vês? Viste, viste? Estava ali tudo escarrapachadinho, mas tudo – e tu, preguiçoso, a ler banalidades onomásticas.
Lírico irremediável que sou, cultor de inúteis belezas que fui sempre e para sempre serei, sou também um irremediável leigo quanto a geringonças práticas. Mudar uma lâmpada atrapalha-me a vida por mais de quinze dias. Abrir uma torneira que não seja das dos pipos deixa-me boi ante o palácio da simplicidade. E por aí afora. A minha Senhora Esposa é que me ataca os sapatos. Nunca comi sozinho uma sardinha: tem de ser ela a desespinhar-me o peixito. Uma vez, tentei fazer a cama – ela dormiu no sofá, claro.
Tudo isto te confesso & explico por causa da sigla LNEC. O mero som dela (lnec, lnec…) não te parece aquele ruído salivar dos malcriados que mastigam de boca aberta? Ou ainda: o lnec-lnec é ou não exactamente aquele estalo do elástico da cueca na anca? Hum? É pois. Eu sei que tu sabes que LNEC significa, no mundo dos não-avariados-da-mona, Laboratório Nacional de Engenharia Civil. Seja. Mas para mim, népias disso. Para mim, é das interjeições contra-ofensivas mais lindas que pode haver. Se alguém te chatear, só tens de lhe zurzir cuspo assim: vai LNEC! Ou seja: vai Levar Nos Entrefolhos do Cagueiro!
E os ex-ministros? Ah, a meu ver e a meu ler, o que (não digo que todos, mas que quase todos) fazem – é GNR. Isto é: Guardam o Naco Roubado. E a verdade seguinte é que PSP: Poucos se Salvam da Pilhagem.
Por voltas, revoltas & reviravoltas do imparável processo histórico, a sigla URSS já não se usa. Ai não? Usa, USA! No caso da minha maluqueira, a URSS é eterna: por, sendo não raro do teor diarreico, portanto humaníssima, valer – Urgência Repentina de Soltar o Saco.
E USA? Fácil: Ungidos de Santidade Astral. No mínimo.
E ONU? Olha, Nelito, Unta-me.
E NATO? Nunca Andaste Tão Osga.
De todo o desarrazoado que supra te expus, ó meu fiel e bondoso leitor, concluirás que um bocadito de fluoxetina me não faria mal de todo, bem antes pelo contrário. Talvez. Tenho um médico amigo, o Adelino Correia. Dr. Adelino Correia. Ui: DR AC. Sigla. Já sei: Demónio dum Raio, Arranja-me Comprimidos. E ele então, com pena de mim e de eu de tão pobrezinho quase de algibeira numerária como de cabeça, paga-me bagaços até a língua e a Língua me ficarem encortiçadas de todo, e a boca e o Idioma me saberem a pomada de largo espectro de acção fungicida.
Estranharás talvez, Leitor meu caríssimo, que te não ceda a minha particularíssima e dementíssima descodificação de GRP (Governo da República Portuguesa) ou de CMS (Câmara Municipal de Santarém). Pois não. Nessas duas siglas não me meto. Não é por medo. Nicles de medo. É por uma bem mais simples razão. Esta aqui: porque tudo o que nos fazem, fizeram e vão continuar a fazer, é de FNAC, só quero que tanto uma como outro vão mas é LNEC.




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