Wednesday, May 27, 2015

Rosário Breve nº 408 - in O RIBATEJO de 21 de Maio de 2015 - www.oribatejo.pt




A (C)idade não é um posto, é um pote

A idade não me tem dado, ou deitado, tudo a perder. O mesmo se passa, ao que leio, com Santarém, pessoa colectiva bem mais antiga do que a individual minha. Exemplos? Tenho potes deles. Nomeada e numeradamente, 11 (onze) potes, que é como quem diz paletes.
Pote 1 – “Luís Farinha perdeu os pelouros do lixo e dos espaços verdes” – SANTARÉM/2 – FARINHA/0.
Pote 2 – Cronista voluntário deste Jornal, não sou, nem oficial nem oficiosamente, fornecedor da Câmara scalabitana, pelo que nem uma linha, nem um parágrafo, nem uma coluna, nem um dia sequer perco à espera que me pague ela o que aliás me não deve – EU/IGUAL-AO-LITRO – CMS 423/68 DIAS DE PRAZO/PAGAMENTO.
Pote 3 – Bicampeão mundial consecutivo de Cálculo Mental, João Bento, estudante da abrantina ES Manuel Fernandes, é já, aos 13 anos de idade, um dos mais promissores lavadores das janelas-de-oportunidade emigratório-passoscoelhanas. Isto pelos meus cálculos, que mentalmente são de uma besta. “Cresce e desaparece” – JOÃO BENTO/15 EQUAÇÕES-33,66 SEGUNDOS – CUNICULTURA EMIGRATÓRIA/MAIS 1.
Pote 4 – A Estatística é uma coisa inventada pelos yuppies dos anos 80/XX, gentalha reciclada, uma vez chegada à idade adulta, a partir dos hippies cansados de brincar aos Woodstocks e aos Maios/68. Parece que, estatisticamente, Santarém/Distrito aumentou as suas/dela exportações em coisa de 80% entre 2003 e 2013. Mais 12%, portanto, do que Leiria, a “rival”. E muito acima dos 69,48% da média nacional para o mesmo período cronológico – SANTARÉM/DISTRITO 80% – NÃO-SE-NOTA-NADA-DE-ESPECIAL-NA-VIDA-DA-GENTE 0%.
Pote 5 – O Riachense é um clube-espelho do País. Crise. Portas que se fecham. Ninguém de jeito que a jeito se ponha e se atravesse. O actual presidente, confesso não-recandidato ao cargo, já é, se calhar injustamente, tido e dado como involuntário “coveiro” da popular colectividade de Riachos – LUÍS CARLOS DIAS 0 – CAVACO SILVA ABAIXO-DE-0.
Pote 6 – “O presidente da Câmara de Santarém chama a si os pelouros dos Espaços Verdes e da Higiene e Resíduos Sólidos.” Ora catano! “Farinha” do mesmo saco (roto, ninguém disse azul…) – TUDO-NA-MESMA 1 – RUAS-DA-CIDADE 0.
Pote 7 – Vale (valerá mesmo?) que a vereadora Inês Barroso, perdendo embora a “Criança”, sempre mantém o Canil e o Gatil municipais – ÃO/ÃO 1 – M(I)AU/MARIA 1.
Pote 8 – Desde 6 de Maio último, deixou de haver paparoca no refeitório do CAS/Centro de Apoio Social. Sem substituição dos trabalhadores afectos àquele serviço entretanto postos a (des)andar, a panela não ferve sozinha. Mesmo assim, ó Anjos Todos do Céu e ó Santos Todos dos Andores Todos de Todas as Procissões a Cujas Nenhuma Falta o Presidente!, o superior edil “reconheceu o excelente trabalho de apoio social que tem vindo a ser desenvolvido pelo CAS aos seus associados”. Mas, note-se bem, salvaguardada porém a “completa independência da entidade ao município” – EXCELÊNCIA 1 – INDEPENDÊNCIA/BACALHAU-COM-GRÃO-A-3-EUROS-E-MEIO 0.  
Pote 9 – Sexta-feira, 15 do corrente, realizou-se na ESGT/Escola Superior de Gestão e Tecnologia de Santarém um “seminário”. Não daqueles para futuros sacerdotes mas para “líderes de organizações de Economia Social”. Isto é: para mais yuppies-ex-hippies. Já cá tínhamos poucos. Não consta que nem o moribundo Riachense nem o CAS tenham sido convidados. A mim pelo menos não me constou. “Oraram” (aquilo, afinal sempre era “seminário”…) Maria do Céu Freire, Tânia Graça e João Serrano – PALEIO & TRETAS 3 – QUAL-ORGANIZAÇÃO-QUAL-ECONOMIA-QUAL-SOCIAL-QUAL-RIACHENSE-QUAL-CAS? 0.
Pote 10 – “Ouve bem, mas percebe mal?” é a “manchete” da página 9 (nove) da edição passada do nosso Jornal. Publicidade devidamente assinalada (como é de lei, aliás), deve ter recebido 100% de respostas “SIM”. A minha, pelo menos, foi essa – 100 a 0, portanto.
Pote 11 – “Posto de Turismo de Santarém ‘esconde’ os folhetos das feiras que se realizam na cidade”. Calculo eu (desculpa-me lá, ó grande bicampeão João Bento!) que haja gralha neste título. Se estão escondidos, não são “folhetos”. Serão mais “falhetos”. Parece que por ordem do vereador. E quem é ele? Claro: o tal Luís Farinha. Folhetos de interesse turístico para a cidade e para a região? Bota pró lixo! Certo. Bem pode Farinha perder o lixo. Nós é que o não perdemos a ele. Resultado à vista no contentor mais próximo de si. Ou debaixo do balcão do Posto de Turismo.
E pronto. Por esta semana, nem me estico nem marro mais com suas sumidades (antes sumiços fossem ou levassem…).
Sim, senhores da página 9: ouvi tudo muito bem mas percebi tudo muito mal.
É da idade. Ou da (C)idade.



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