Friday, March 14, 2014

Linhas para o Caderno 25/Leite dos Santos - todas de Leiria, quarta-feira, 12 de Março de 2014

Q’À MESMA (COMO A LESMA)

Não oro
Não coro
Não corro
Não choro
Nem imploro
Que à mesma
Um dia
Morro.



CUIDADO CO’ HOPPER

Não fundarás, sequer fundearás, esta noite, qualquer diferença entre teus pares. Olhada de perto (i. e., de dentro), a realidade pode ser o desert’esespero, tem cuidado. Este homem é só como o poste-lampião público: quão privada é a malga de sopa que ele ingere contra o futuro. Numa casa-de-pasto pelas mesmas moscas habit(u)adas há décadas. Cuidado: que Hopper te não vassale a cabeça-em-visão.



SONETO DO NOME DA MÃE

Já que nesta série de cadernos me dispus
a dispor (de) alguma coisa da minha vida,
dou-as, vida & série, à própria luz
que branqueia muita coisa anoitecida.

Saúdo por dentro os leais amores fiéis
que berço me acalentaram sem preço.
Meço por meu nome os outros Daniéis,
que assim nos ’inda tratam, por bom apreço,

na terra onde gente me fiz quando feito.
É a norte da Coimbra-Pátria, é na Pedrulha.
Conheço cada pedra, cada braço direito,

cada pomba que ladra, cada caderno que arrulha.
Sítio da nascitura Hermínia: Maria Luísa
era p’ra ter sido. Não foi. De nome já não precisa.



BUCO(O)LISMO

Continuam elipsemente bonitas
as andorinhas que aos céus de Portugal
pintam de tinta-dita-da-China, catitas
& gaiatas quais crianças sem igual.

Prestam-se bem à melancolia
do nosso País os regatos inter-rurais.
Cantam prata noite & dia,
são frescos tenores sem rivais.

As mulheres dos homens, essas
fazem-lhes casa, tornam-nos lar.
Sem que eles o cheguem a topar,
montam o puzzle, unem as peças
(as doenças, os domingos, quebra-cabeças
que a sós eles não sab’riam juntar).



SONETO DO PRÍNCIPE REAL’VENIDA

Eu tive um pátio-quintal em Portugal.
Eu era então outra idade.
O tempo por demasia veio, mudei de cidade
– como quem idem de camisa ou de mulher, qual

inocente idiota malabar de bar em bar.
Ainda nessa vida (des)ando idiot&nocente.
É a minha forma de, só, ser só gente.
Aquele, olha, é casado, está p’ra s’divorciar.

Isto tem só de ser música, não precisa
sequer de haver plateia, balcão ou frisa.
Havia (era em Coimbra) o Teatro Avenida,

do Príncipe Real nomeado à fundação.
Foi quintal, foi pátio, teatro foi. Já não.
A vida a ter atém-se, pois, à vida (t)ida.

Thursday, March 13, 2014

Rosário Breve n.º 349 - in O RIBATEJO de 13 de Março de 2014 - www.oribatejo.pt



Onde falam homens, calam-se estátuas

Eu agora era o Salgueiro Maia,
capitão não de mas por Portugal,
eu agora como sempre até agradeceria que nem me mudassem de sítio,
isto porque o sítio onde eu estiver há-de ser sempre apenas o sítio onde eu me quiser,
eu morto ou vivo,
ou eu mais vivo agora até do que nunca,
hoje até se calhar,
mais do que alguma vez,
preciso sou do que no sítio onde estou,
escusado é até que chamem Liberdade ao Jardim onde me puserem,
liberdade há-de ser sempre o sítio onde homens como eu estiverem,
nunca na puta-da-vida liguei a efemérides de busto-em-vida,
da minha vida a despedida terá sido fugaz mas nunca arrependida,
a chatice do cancro,
chove Deus ou o Diabo por ele a cancros,
a melancolia de deixar pesarosa a mulher que tive por privada rosa,
mudar-me de sítio para quê?,
mudem mas é de sítio a des-gente do meu País,
esta sub-canalha que nunca há-de ser feliz,
não de azimute-topografia,
não a mera rectangular geografia,
mudem-se-vos antes dessa estranha gente canalha
que mais despreza a terra contra quem mais a trabalha
e que faz de todos nós connosco mesmos mudos da surdez da voz,
um País de si mesmo Pátria indiferente,
uma estátua de sal para mim não é ser natural,
é nocivo,
é virtual,
alguém que pela tarde fria
da História-Pátria-Mitologia
viu na estátua de sal
um tal Salgueiro Maia tudo menos real,
alguém que olhou para trás e se arrependeu,
ora tal tipo de gajo ou capitão nunca fui eu,
tive pena até do Marcello do catano com dois éles,
coitado,
ratito  encafuado no Carmo
onde o cerca-sitiei,
por e de maneira que eu cá sei,
na manhã atónita vibrava o megafonialtifalante,
como quem vibrava o nítido futuro naquele mesmo instante,
do cravo o rendilhado rubroverdeava tanta coisa rouca,
que até ser livre,
começando-o só a ser,
parecia coisa tão pouca,
e a minha mulher tão preocupada em casa,
as mães-mulheres deste País desinfeliz,
tão preocupadas em casa,
rosa,
asa,
digo,
mulher em casa
sem saber se ir a pé a Fátima, se de chaimite ao futuro,
um homem é um homem,
uma rosa é um País,
é um homem com mulher,
lembro-me agora,
estátua,
de ter mudado de sítio por ter sido eu a querer fazê-lo,
bronze ou não,
sal ou sopas,
quero lá saber,
eu agora não era isso,
eu estátua é que nunca fui,
estátua é que eu nunca fui não,
saí de Santarém e vi Lisboa,
a madrugada era boa,
amanhã ainda sou Salgueiro & Maia & Capitão.


O País é que se calhar não.

Wednesday, March 12, 2014

TROCO ESTAS DEZ ESTÂNCIAS POR OUTRAS TANTAS ANDORINHAS DE BARRO P’À PAREDE DA MINHA VARANDA (Leiria, quarta-feira, 12 de Março de 2014 - para o caderno 25 da série Leite dos Santos)



Talvez um cais fluvial, suave ave
arejando a doçura do entardenoitecer,
o corpo veicular fazendo-se nave
a singrar / a sangrar às contas co’ ser.

Barcarola do improviso à bolin’arreata,
depois do café-com-leite & do pastel-de-nata,
confortado, requentado, frequentado,
corpo-eu-meu dando o dia por rimado.

Além, no adentr’olhar, as coisas atlânticas.
Acima, o pesponto respigado sideral.
Não ser isto nada Paris, mas algures-Portugal,
terra de patrícias mel-mil-maravilhas semânticas.

Macerados laranjais de ouro-sangue a poente
incendeiam da visão escrita a bonomia.
Fez calor até & esteve de sol o todo-dia,
em lânguida euforia transou a comum gente.

Agora uma mulher pintada-capilar neva perto:
parece seu quê de cegonha, qq. coisa de M.ª Alberto.
Fufa talvez. E talvez não. E vai daí,
aquilo serve para o que é amailo pró chichi.

Pintalga a retina o cosculhar cromático
dos diamant’esmigalhados na aquasfera.
Na paragem do autocarro, ’ma mulher espera
o dit’omnibus, cujo atraso é luso e matemático.

Vacum galinhedo brasileiro já manobra
em mariposante aproximação do bar-alterne.
O putedo é profess’oss’ofício perene
– e mais tomos tem do que eu obra.

Casal tisnado, sessentão, abastado
acampa de mesa à dextra minha.
A ela seu chá frio alimonado.
E ele, olh’ó proleta!, c’a bela cervejinha.

Rêgo mole de nata-banha, as mamas dela.
Canetas-canelas agudas, o passarão.
Ele ’tá bem reformado, arrecebe um dinheirão.
Ela nunca fez nada, tirante uma q’outra mijadela.

Estou aqui deposto em sossego. Barbarizo.
Apanhei jeito escrevente, mas não juízo.
Do mais que não conto, por ser já tarde,
conto contar amanhã. A malta q’aguarde.

Três de hoje para o caderno 25 da série LEITE DOS SANTOS

ORATÓRIA DO NOME

Leiria, quarta-feira, 12 de Março de 2014

O nome dele levo e trago no meu corpo.
Pertenço todo a esse nome como dele todo fui.
Agora é entre outros papéis que me deixo.
Moro longe do mar mas é barcos que vejo.
Cerrar os olhos me basta a ser náutico.
Dele o Irmão Alberto hoje faz cem anos.
Faz sem fazer, morto profissional desde 1980.
Mas digo eu que faz, cerrados os olhos, serrado o olhar.
O nome dele leve enquanto trago.
Enquanto o amargo vinho trago fora dele.

Quididade me basta e sobra: de Coimbra camponês.
Hoje enfim mais dado ao operariado a lápis.
Distribuidor de pão-de-pombas.
Pardais às vezes, quando a mansa brisa amansa.
Nada de muito importante, um deix’andar.
Açucaro o vasto deserto ilegível.
Chamam-me pelo nome dele.
Viro-me, é afinal só comigo a sós, que é dele.
Sem fazer ondas, sem senão aflorar o precipício.
Ainda não é a cegueira, ainda não é já renascer.



POR AQUI NÃO HÁ INGLESES NEM INGLESAS MAS

Id., id., id.

Três homens, um de cada vez.
Nenhum deles é Drake.
Nenhum deles, Clarke.
Nenhum, Greene.
Portugueses, estes.
Um é bancário.
Outro também mas de outro balcão.
O derradeiro é senhorio, vive do ar dos outros:
respirar torna-o rico.
Homens como casas: tarjados a azul por baixo.
Tenho comigo uma libra para gastar em vinho & biscoitos.
Sendo menos amargo no nome: roxeando a boca.
Posso passar-ser o resto da vida a fazer isto.
Isto: a diluir o deserto que vai.
O deserto que vai da palavra
cara
à palavra
rosto.
Uma malga de sopa à
face
da lareira, numa tarde fria comida a sós.
Agora que a Primavera se conjura/conjuga.
Copo de água açucarada pela garganta.
Até ao fosso do estômago, águ’açúcar.

Estas três mulheres agora na tarde.
Nenhuma é Maureen.
Nenhuma é Cora.
Nenhuma, Rosie Ann.
Portuguesas como telhas vermelhas, todas.
Duas prostituem-se tipo deLuxe.
Éguas caras de montar, a avaliar pelos adereços.
A outra gosta de ler porcarias: Danielle Steel, MST.
Antes de as receber neste caderno, fui-me a casa.
A essa hora ninguém nela, só os retratos.
Tenho algum tempo agora.
Na praça calçada à portuguesa.
Na praça, um restolho de cadeiras-mesas azuis.
Humanos entorpecidos derredor.
Lagartam-se ao bom sol de Março.
Jibóiam as falas.
Uma das de aluguer diz a palavra
parábola.
Esta deu aquela em étimãelogia.
Rapazes de gravata mal-acabados de criar.
Cheiram ainda a cueiro púbere.
Professoritas envelhecidas com água mineral.
Uma careca reverberante como um farol.
Pertence àquele cavalheiro de casac’antílope.
Ao longe (mas perto de mais) o alarme de um carro.
Passa uma rapariga silfidesca.
Cabelo-caril, túnica roxa à Senhor-dos-Passos.
Sandálias douradas, em que dois pés sem peso.
Escrevive-se aqui em razoável qualidade de vida.
Posso (&passo) o resto da vida em anotação.
Quase nem crio: o mundo dá de si.

Cerro os olhos, cedo à epifania voluntária.
Epifania voluntária: vento penteando trigais.
Ouro maduro. Chapéus lenç’atados ao pescoço.
Ar-vidro-ardente reverber’ondulando fornalha.
Talvez tome outro café, veio morno o primeiro.
Cálidas maravilhas para trazer à boca.
Agora um homem de cachaço vermelho.
Afogueado seu bafo, seu baço: gostador de bagaço.
Como eu, menos a parte do cachaço, a cachaça.
O Inverno de 81 foi fronteiriço na minha vida.
O Outono de 86 também.
Em Janeiro de 85 um dente ia dando-me cabo.
Em 89 abri uma janela ao vasto nada.
Foi uma década interessante.
Ainda bem que está morta.
O Maradona senhoreava então o mundo.
Não sei para nem por que falo nisso.
Tudo irrisório, risível tudo.
Uma friúra de convento nos ossos, às vezes.
Progressão na carreira – digo: no bolor.
Namoradas profissionais.
Aquelas duas, digo.
Digamo-las: Maureen Drake & Cora Clarke.
Mais do que as duas esperta, a Rosie Ann Greene:
senhoria, a magana.



CÉLERE SÍLFIDE

Id., id., id.

Donairinha rapariguinha
levezinha avezinha
passa paira pára espairece
decide-se pela esquerda
& desaparece.

Tuesday, March 11, 2014

OUTRO SONETO COM A LUZ MESMA - Leiria, terça-feira, 11 de Março de 2014






Onde aqueles dois que sabeis a luz primeira
primamente viram, cada um por si
– é Coimbra chamada, pátria soalheira
onde, nascendo, a prima luz também vi.

Por ela passa o Mondego rio, que fica.
Nela se incrusta a ouro o fresco sol.
Bordado de choupos, o manso arrebol
menos ao estudante guarda que ao futrica.

Ao pó dos livros como ao pó dos caminhos,
vai o leitor-caminhante se sacudindo.
Manhãs lhe foram já. Já a noite, vindo,

o instrúi na resignação por pura antecipação.
Nascemos a sós, finamo-nos sozinhos.
Mas a luz. Mas Coimbra. Mas o coração.  

Monday, March 10, 2014

SONETO DO DIA POR GRATIDÃO À LUZ DO MESMO - Leiria, segunda-feira, 10 de Março de 2014



Esta é de cetim, não de trapo ordinário.
Digo: do dia, a luz não serapilheira.
Redour&brilha quanto a vista ’cança inteira,
uma nudez de vidro dando, una, ao vário.

Delicadeza operatória rondando o passeio das coisas.
Disposição que enfeit’adorna o que adora.
Instante do instante, século da hora:
eternitarde do éter da idade, pois as

vidas corpos feitas o sol em todas tudo abrange.
Ressoam, cavos, o címbalo & o bronze.
Adeja, purpurina, a gaze-gaivota.

Fazer sonetos tem seu quê de gloríola idiota,
mas merece-o bem a santa luz pura
da segunda-feira passante & a da futura.

Nossa Pátria minha


A 21 de Maio de 2008, publiquei no Jornal da Bairrada esta crónica. Mantém-se actual, infelizmente. Menos, infelizmente, no que respeita à minha Mãe, então viva.




Nossa Pátria minha


Sou um rapaz da área norte de Coimbra. Cresci na zona industrial da Pedrulha (do Campo, não confundir com a Pedrulha do Monte, na Mealhada). A minha Pedrulha é agora apenas zona, dada a devastação empresarial sofrida pela economia coimbrã. Caso atrás de caso, tudo abre falência (verdadeira ou manhosa), tudo fecha as portas. Operários às centenas (muitos com mais de 30 anos de casa) vêem-se atirados sem rede ao frio horror do desemprego.
Quando lá vou ver a minha Mãe, choca-me sempre a galeria dos edifícios fabris em ruínas. Sei perfeitamente que por trás de tudo está a ganância empreiteira das imobiliárias, que, em conluio com a “democracia” autárquica, nunca gostaram de pessoas, só de fregueses tê-zero que lhes comprem as gaiolas de betão nas estéreis e dormitórias urbanizações da modernidade. Logo que posso, venho-me embora dali, para desgosto da minha Mãe, que preferia que eu tivesse 12 e não 44 anos, de modo a viver com ela na casa de operário que o meu saudoso Pai sustentou, febril e fabrilmente, com mais de meio século de trabalho na pintura cerâmica. 
Se vos pareço amargo, não duvideis da parecença: ando amargo com isto a que, à falta de melhor palavra, chamamos Pátria. Suponho que a vossa Pátria é a mesma que a minha, mas não posso garanti-lo. Porquê? Porque a minha Pátria é a da selvajaria “liberal” do preço dos combustíveis, a do desemprego multitudinário, a da cavalar ignorância linguística, a da parasitária cáfila de assessores, a da arrogância ministerial, a das multimilionárias negociatas com submarinos que nos levem ao fundo e com comboios que em alta velocidade nos levem a nenhures, a de empresários desonestos que vêem na honradez o oitavo pecado mortal da alma.
Lamento, mas a minha Pátria não é a que o Scolari nos mandou pendurar das janelas e das varandas. A minha Pátria, de facto e deveras, é a dos meus 12 anos, quando as fábricas trabalhavam com gente dentro.
Garanto-vos que é triste, ter uma Pátria do século passado.

Thursday, March 06, 2014

Rosário Breve n.º 348 - in O RIBATEJO de 6 de Março de 2014



Olhai que depois o Tino não casa connosco

O Tino de Rans do PSD é o professor Marcelo. Quase sem tirar e com mais pôr – são a mesma coisa. Foi vê-lo, ao professor, na última feira(rrobodó), vulgo congresso, orangina. Ao genuflectido conclave, só faltou aquele intérprete gestual doidinho do funeral do Mandela. A aura de non-sense era a mesma. O esbracejar era o mesmo. A risota descabida, a mesma. De olhos tipo lémure hiperactivo, querendo muito fazer rir, querendo muito fazer pensar que pensa, querendo muito passar uma esponja sobre a nódoa do apodo de “cata-vento” que tão cruel mas tão justamente lhe pespegou o homem chamado Coelho, o Tino do PPD-que-Deus-tem coaxou presença nas Rans de tal sinédrio tragifarsante para que ninguém, muito menos aquela gente, se esqueça de que ele é que sim, de que ele é que só, de que ele é que TVI. E para que seja a ele e só a ele e a mais ninguém do que ele, não a durões transgenizados em couves-de-Bruxelas ou a santan’adolescentes obsoletos das discotecas da 24 de Julho, que levem pelo bracinho mendigão a atravessar a passadeira-de-cegos que leva aos salões dourados de Belém. Foi por isso e foi para isso, não foi por nem para outra coisa. Abençoado convénio aquele, que, sob um só tecto tão pejado de balões vácuos como aquelas cabeças mais dadas ao gel do que ao raciocínio, juntou a mais fina-flor do nosso mais requintado entulho. Nem o abjeccionismo do saudoso Luiz Pacheco lograria compendiar, numa só separata-de-cordel a cinco paus de edição-de-autor, tão inerme e tão enorme catálogo de nulidades apátridas. O que o mar nos anda a (des)fazer ao litoral, anda esta pandilha a contrafazer ao que nos resta, a começar pelo pão-de-cada-dia e a acabar no último assomo de auto-estima. É um partido que faz ao País o que a Abispark anda a fazer ao estacionamento pago de Santarém, à revelia das regras mais estritas da sanidade legal mais lata. A lata é a mesma, de facto.
Olhai: a mim, não me repugna nada o holocausto das “ideologias” manequísta-dicotómicas com que nos formataram no sentido do (des)entendimento do mundo. Os ismos são pepinos mal torcidos que resultam em destinos de reviralho. A meu ver, a Utopia ou é terrena (e portanto humana; e portanto da mesma estatura que nos vai, a nós-gente, das solas ao risco do cabelo) – ou então vê-se assolada por uma espécie malsã de suão soprando-nos nas fuças a estupidez malévola que faz vergar de joelhos os pastorinhos carreiristas ao nível das patorras da azinheira do Poder, essa sarça ardente de néon como as barracas-de-farturas. O que deveras me repugna, é – em detrimento da válida gente séria que este País ainda tem em todos os sectores da vida produtiva – a promoção aos lugares de (ir)responsabilidade do idiota-da-turma, do cunhado sabujo, da amante oxigenada como uma tocha de milho, do sucateiro ignóbil, do licenciado da mula-ruça, do jot’idiota, do pato-bravo anelado de ametista falsa a cavalo num Mercedes de manilhas e de, enfim,  todo o espantalho verminoso capaz de, muito mais depressa do que o comum espectador-eleitor, perceber que esta é uma terra em que só a merdina faz carreira.
Mais do que meu receio, é já minha a certeza de que, como nos filmes porno, acabemos todos por ser a gaja que, depois de tanto e de por tantos facturada e mal paga, nem a consolação do casamento redima. Para que isso não nos aconteça (ainda mais), hemos de ter tino. Tino, salvo seja. 

Tuesday, March 04, 2014

CEM-CATORZE: TERMINAÇÃO (último texto do caderno 27 da série Leite dos Santos)


CEM-CATORZE: TERMINAÇÃO

Leiria, terça-feira, 4 de Março de 2014

Ontem, três anos que a Mãe nos terminou.
Em paz na terra, então como agora.
Olha: é um lírio do campo.
Sal da terra. Mulher de boa vontade.
Presente nas palavras do presente.
Pretérita amanhã, todavia.
Mais branca na morte: noiva outra vez.
Nós por aqui: orfã’ndando descalços no terreiro do circo,
do terreiro do circo cortando-nos nos despojos afiados.
Orfeus órfãos, partilhamos uma língua universal,
por particularmente obscura, com os órfãos outros todos.
Empalhámos a gaivota.
Engessámos a santa.
Perdemo-nos da mulher.
Já não vamos a correr para casa.
Já o fizemos – para contar-lhe a rua.
Dédalo mais simples agora, esta Ítaca de nenhum retorno.
Ainda perfumadas dela, as mercearias que resistem à passagem:
café, sabão, bacalhau, naftalina, à passagem.
Tudo agora afora cânfora, água de flores pisadas.
Persis-resis-exis-tência dela na lavagem da roupa.
Muda de calças, filho.
Aproveita e muda de vida também, filho.
Não fumes.
Não andes por aí só por andar.
Não abandones as minhas datas, filho.
Os chinelos-de-quarto dela levitando-a.
As fraldas de velha que deixou por usar: bebé rebelde, terminal.
Ao cabo e ao fim, uma Mãe dessas que só em, ou de, Portugal.

Thursday, February 20, 2014

Rosário Breve n.º 346 in O RIBATEJO de 20 de Fevereiro de 2014 - www.oribatejo.pt



Equivalências adversativas em nome do Diabo

Chamar universidade à Lusófona é o mesmo que chamar doutor ao Relvas. Fé na Virgem e o Diabo a correr. É como o Vara, por uns meros robalos, apanhar-se doutorado em Piscicultura. A Educação estropiada em antros afins, da pré-primária ao superior. Colegiais contratos-de-associação com paralelismo-pedagógico. Milhões públicos ao desbarato privado. Licenciaturas falsas como Judas pago a lentilhas corrupto-milionárias. Euromilhões do bacoco de província capaz de erguer um gimnodesportivo de cartolina para o futsal do 12.º sem esforço. Diplomas de carne-picada à bolonhesa segundo o tratante Tratado de Bolonha: faço de ti doutor-engenheiro mais depressa do que a desAssunção inEsteves há-de perceber o que seja um prefixo de negação. Para um imbecil académicoa praxe é um direito fundamental; para um imbecil jota todos os direitos fundamentais são referendáveis. Imbecil por imbecil, a coisa compõe-se. Mas no dia em que a deficiência mental for por lei equiparada à deficiência motora, os palácios e os terreiros-do-passos vão ter uma data de rampas. Deixa-me ouvir o que diz o Marcelo que sabe disto. Especialista, ele também, do culto do instantâneo, da retórica frívola, da papagueação de encher-olho com a boca cheia de nada. Já tivemos Presidentes da República por bem menos. O Capucho corrido à pedrada pelos estalinistas cor-de-laranja. Mas o Rui Nunes, in Uma Viagem no Outono, a dizer que “O futuro onde estamos tem a iníqua alegria dos sacanas.” Pois estamos. Pois tem. Mas o Júlio Isidro, no Diário de Notícias de 17 de Fevereiro do corrente, a dizer que “Só as pessoas felizes é que são livres.” Pois são, elas sim, mas então aqui a gente vai toda presa, pois que a tristura nos algema olhos e mãos. O Stig Dagerman afiançando algures que “O jornalismo é a arte de chegar tarde o mais cedo possível.” Mas ser muito mais fácil o Cardozo marcar com êxito um penalty decisivo do que chamar jornalismo, por exemplo, ao Prós & Contras, programa em que tudo o que possa ser sério é arquivado para amnésia futura enquanto a sacerdotisa-de-serviço se arregala e saracoteia. A nossa dignidade derradeira estilhaçando-se em irrecicláveis despojos de granada-de-fragmentação. A República ser constitucionalmente laica mas ter e pagar na mesma uns milhares de euros ao, aliás reformado, próximo bispo-capelão das Forças Armadas. O País quase todo a barafustar contra o atraso do Porto naquele jogo da Taça da Liga – mas quase ninguém a vituperar o atraso de décadas do mesmo País de patuscos, i.e., Nós quase todos. O cómico-trágico desta pandilha litoral que tem por nome Portugal estar escarrapachado na implacável sucessão de encerramentos de tribunais, centros de saúde, escolas, oficinas – mas, só por nevar da pala de um campo-da-bola, ai-Jesus-que-falta-o-ar à carneirada. E tudo ilibado no caso dos submarinos: pelo que porta-aviões-da-Justiça ao fundo. Mais o paradoxo pulha de agilizar o despedimento com uma pata enquanto a outra (oh mas quão blandiciosamente!) drapeja a bandeirola do milagre económico. A Virgem correndo e o Diabo a rir-se. À privatização das águas, há-de seguir-se a do ar, a do sol, a da lua e a das mães deles, até agora públicas. As mães. Venda-se os Mirós todos mas não nos lixem a Joana Vasconcelos, essa nossa kitsch de últimos-socorros para basbaques parisienses. Explica-desenhar a cores aos drogados deste morredouro-de-seringas que o Caran d’Ache rima com haxe mas não é para fumar. A maldição de Circe, que foi a de transformar os homens em porcos, continuando viva e esperneante no Orwell dos porcos-ao-poder. A literatura de hipermercado acabando de esvaziar as mentes das professoritas do tal ensino particular sempre tão mortinhas por beijocar a boca-de-sapo do Sousa Tavares a ver se descobrem a que é que sabe a beiça de um príncipe-do-nada. A tal Lusófona a dar cobertura ao bisonho Bisonte-dux-badameco do Meco e ameaçando processar os pais dos afogados por calúnia e atentado ao bom-nome da instituição. A Virgem a querer saber – Mas qual bom-nome? – e o Diabo a dizer-lhe – O meu, querida, pois de quem querias tu que fosse?
E tudo isto nos causar uma estranha espécie de surdez diurética, que consiste no já nem os podermos ouvir mas nos mijarmos a rir de todos eles na mesma.

Thursday, February 13, 2014

Rosário Breve n.º 345 - in O RIBATEJO de 13 de Fevereiro de 2014 - www.oribatejo.pt



Diferimento


Figura de homem com gorro azul entre profusa instrumentália científica. Num quarto alto, dando a janela o rosto à foz do rio. O fotógrafo esteve com o cientista de cabeça azul da parte da tarde. À noite, o fotógrafo janta a sós numa casa-de-pasto cuja clientela regular é feita de seres irrecicláveis para esta vida. Depois, vai a um boteco mobilado de madeiras escuras cujo televisor trabalha com o som em off. O inglês Eccles e o inglês Green travam uma final muito bem servida de triplos-vinte. O fotógrafo gosta de ver dardos bem atirados. À quarta leg, Green leva vantagem: 3 a 1. Nem Green nem Eccles são já rapazes. O fotógrafo já não pensa no cientista cujo gorro azul indiciava rotina e serenidade. Solidão também, talvez. O homem oferecera-lhe uma bebida no Café do rés-de-chão do prédio. Aceitou. Tomaram-na na esplanada, que era pequena e soalheira, dando ela também para a grande foz que esteve, e está, na base da razão de os Antepassados ali terem erigido a capital. Têm entre ambos vinte anos de diferença, mas a vida parece tê-los consumado e consumido à mesma velocidade. O fotógrafo não pensa nisso. Talvez se nem lembre já do homem gentil e pouco expansivo que usa há tantos anos o mesmo gorro e o mesmo azul e o mesmo quarto de vidraça em rosto para o rio. A final Eccles/Green é muito agradável de seguir. O fotógrafo permite-se outro shot de Jameson antes de rodar a primeira cerveja do serão. Escassa clientela derredor. O patrão vem sentar-se à mesa do lado direito. Comentam a final, o fotógrafo aproveita uma ida do patrão ao balcão para lhe pedir a cerveja. O homem traz-lha mas não volta a sentar-se. Dois casais ainda moços entraram. Já trazem algum álcool no bucho, a atmosfera range como um móvel velho. Pedem ao patrão que mude o canal para outro de música. O patrão diz que não. Porquê? – querem os audaciosos saber. O patrão diz que há gente a ver as setas. Eles dizem que é só uma pessoa. O patrão diz que são duas – e aponta o polegar de gigante ao próprio peito. Uma das raparigas diz que não faz mal, que dá para conversarem enquanto bebem um copo, mas o namorado da outra, o do porquê?, diz que sendo assim não, que o dinheiro deles é mal empregado ali, espera uma reacção do gigante da casa mas não a tem porque o homem se foi sentar à mesa do fotógrafo com dois copos largos de Jameson puro e mais duas Corona geladas com rodela de limão embutida no gargalo. E depois sentem o silêncio nas costas. E em frente Green vence Eccles, os dois lançadores abraçam-se com desportivismo, depois há saltos de ski mas em diferido, como tudo, cedo ou tarde, acaba sendo.

Tuesday, February 04, 2014

Faz 70 anos a minha rica Irmã(e)


Xelinha x 70

Terça-feira, 4 de Fevereiro de 2014, onze horas menos alguns minutos da manhã – a minha única Irmã faz setenta anos. A prole dos meus Pais começou, portanto, a uma sexta-feira bissexta. Davam as onze horas.
Única menina e primeira de sete, viu-se depressa entregue à condição de Irmã(e) dos seis pimpolhos subsequentes. Eu, vinte anos depois para sempre, que o diga: porque sétimo, porque último e porque escusável.
Ela foi a rosa-perpétua do nosso Pai, senhor que se quedava apreensivo sempre que, mirando-a em prisma de pedra-filosofal, não percebia por que motivo, tendo ele em cadinho de crisol crismado a ouro o sol, fez dela ainda mais seis réplicas em latão. Misérias do desejo progenitor, enfim.
Foi ela também, em luz-íris a mais caleidoscópica, a sombra duplicada da nossa Mãe n.º 1, a cuja velhice terminal amparou mais em encanto de Irmã do que enquanto Filha.
Pós uma mocidade de chitas pobres, remendados sonhos, bailes fugazes e ingénuos platonismos de cine-magazine, a vida deu-lhe entretanto, través o concurso carnal de um quase assustado alto-beirão de olhos bonitos, dentes perfeitos e nome José Maria, uma menina e um menino. As fotografias da época que viu tais nascenças comprovam sem esforço e com glória o clarão capilar-tritíceo dos rebentos: dois cortazàrianos “relâmpagos de trigo”. Ficou doida por eles, doidice que, aliás, os anos não abrandam, antes extremam. Com o nascimento da neta, aqui há uns pouquíssimos anos-segundos, viu-se na posse de um tesouro incalculável, que indefessa e avaramente resguarda em vigilância de escopeta municiada a zagalote grosso, atenta em pura raiva aos bandoleiros de encruzilhada-de-alminhas sob o luar sinistro que o heterónimo-mor da Vida (o Diabo) gosta de entenebrecer riscando na pedra as cuneiformes pègadas da cabra do Assombro.
Em moça, cantava – e então, a filomela toda dela rouxinolava dramalhões de fado menor em redondilha maior, paixões lúgubres e fatais relativas àquela Carmencita em revoadas pícaras de ciganos e novelescas fugas a cavalo través montes com cartão cénico por fundo e de uma poética-de-cordel por insígnia.
Sempre tomou uma taça de espumante por ano – era pelo nosso Natal pagão, quando, à mesa, todos éramos vivos e morrer era uma coisa que só lá fora, coitados dos vizinhos.
Mestre nunca amável e jamais afável, o Tempo, por agravo, a todos nos amestra e resigna sem brandura nem apelo. Cada manhã se faz tarde, sendo a noite mais certa do que a tal improvável perpetuidade de umas tais rosas provadas. O que não posso, porém, é deixar de sorrir ao acaso de, às exactas onze horas deste Fevereiro-4, uma fresca frecha de sol vir pelo ar varar a cinzura februária e a empena da casa em frente, de pronto rutilando de jóias vivas os pardais ao beiral dela inscritos como sentinelas gráficas.
Sim, sorrio à imagem pensada da netita da minha Irmã(e), criança que nem sabe, mas há-de saber, a sorte que houve em ter começado a nascer não há meros três mas há precisamente setenta anos, ainda a Carmencita congeminava a fuga –  como tudo aliás acaba fugindo, menos o amor invencível que temos por aquela que a cantava.

Monday, February 03, 2014

Un poema en mal estado intoxica a 13 personas de melancolía

http://www.elmundotoday.com/2012/02/un-poema-en-mal-estado-intoxica-a-13-personas-de-melancolia/



SEIS DE LOS AFECTADOS SIGUEN INGRESADOS CON "PESADEZ DE CORAZÓN"
Publicado por Kike García el 5 de febrero, 2012


Al menos 13 personas han sufrido una intoxicación el pasado fin de semana después de asistir a la lectura pública de un poema en mal estado, según han señalado fuentes del Institut Català de la Salut (ICS). De las 13 personas afectadas de “pesadumbre vital, dolor del alma y un amor desbocado hacia una persona indeterminada, quizá un ideal”, entre otros síntomas, al menos 6 continuaban la tarde del domingo llorando en el Hospital de Sant Pau y “buscando respuestas en el ocaso”, en palabras de los médicos que las atendieron.
La rosa del desierto, el local barcelonés en el que tuvo lugar la lectura pública del poema en mal estado, ha sido clausurado esta mañana. “La poesía es un arma cargada de futuro, y si cae en malas manos pasa lo que pasa, coño. Por suerte, hay pocos aficionados a la poesía hoy en día y no tenemos que hablar de pandemia”, explica uno de los policías que ha cerrado el establecimiento. El poema, que no se puede reproducir por motivos evidentes, arrancaba con los versos “No alabes mi belleza maltrecha” y terminaba con la expresión “pozo sombrío”.
El departamento de intoxicaciones alimentarias del ICS ha abierto ya una investigación para determinar, mediante comentarios de texto, cuál de los versos es el que habría sumido en un profundo estado de pesadumbre a los que asistieron a la lectura. El poeta aficionado, autor del poema en cuestión, ya ha pasado a disposición judicial y se verá en la obligación de justificar todos los recursos estilísticos usados en el texto. Se comprobará así si los copió de algún sitio y si el poeta está capacitado para abrir su corazón en locales públicos o debería conformarse con guardar sus versos en un cajón y sentirse incomprendido y eternamente desamparado.

Las personas intoxicadas solo pueden hablar usando un “lenguaje florido”

“Cuando salí del café ya empecé a notarme raro, pero al llegar a casa sentí una desazón que parecía que se me iba a partir el alma en dos”, confiesa uno de los afectados. Desde entonces, no ha sido capaz de superar la aflicción en la que se encuentra sumido ni de dejar de hablar “en lenguaje florido”. Al otro lado del teléfono, reconoce que ha sentido deseos de terminar con su vida. “Visto desde fuera parece horrible morir, pero puede que sea la única salida ante esta confusión total que es la vida, a la que podemos considerar el cálculo total de algo que en realidad no ha ocurrido”. Al colgar dijo: “No puedo dejar de anotar la belleza de este momento en mi cartera, olmo verdecido”.
No todos los afectados acudieron por iniciativa propia a los centros hospitalarios, muchos fueron aconsejados por sus familiares, que los encontraron extraños. “A mi marido se ve que le caló mucho un verso de Petrarca que leyeron en la lectura esa y se vistió en plan medieval y empezó a recitar ‘Marisa, siento por ti un fuego helado y tus dientes relucen como radiadores domésticos’ y otros recursos típicos del petrarquismo pero usados con muy mala fortuna. Me debatí entre pegarle dos hostias o llevarle al hospital y, para no ponerle más triste, le llevé al hospital”, explica. Otro de los afectados no deja de decir “Me siento completamente viernes”, lo que ha obligado a los médicos que le atienden a improvisar un pequeño foro literario para interpretar entre todos lo que “el poeta” está intentando decir y así poder diagnosticarle.
No es el primer caso de poesía en mal estado que ha saltado a los medios en los últimos meses. El pasado noviembre, la policía interceptó en el puerto de Barcelona un cargamento de poemas del “Machado chino” que estaban construidos a base de falsos sentimientos.

Sunday, February 02, 2014

Do caderno 27 (CÃO) da série LEITE DOS SANTOS

CINQUENTA: PERDURAÇÃO - II

Leiria, terça-feira, 28 de Janeiro de 2014

Nada perdura que humano seja
– assim Maio escrevi ano passado.
Ora, o arvoredo, despassarado,
semelha ao vento um frio vão de igreja.

É como se antigamente o Inverno.
É como se nada fosse – e não é.
É como se a vida mesma, aqui ao pé,
ázima invernasse o pão que vier no

restolho de outros dias perduráveis:
esses mais amáveis e mais amados,
esses idos já todos, já passados.

Do conto incontável dos dias-tempo,
não lâmpada sobra nem filamento.
Humanos são só os não perdurados.